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Simpósio Acadêmico de Violão da Embap 2012

Anais do Simpósio Acadêmico de Violão da Embap, 2012 
v. 1, n. 1 - 2012

O Simpósio Acadêmico de Violão, organizado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, campus I da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), constitui espaço privilegiado para o intercâmbio violonístico em âmbito nacional e internacional. O evento se notabiliza pela qualificada agenda de concertos, masterclasses e palestras, mobilizando intérpretes profissionais, professores, luthiers, estudantes de Graduação e Pós Graduação, além do público em geral. Além disso, o Simpósio Acadêmico de Violão tem se destacado por concretizar a divulgação de pesquisa e reflexão sobre o violão, seus repertórios, perspectivas de ensino, intersecções com a estética e história da cultura, entre outras temáticas. 

A sexta edição, realizada em novembro de 2013 na cidade de Curitiba, reuniu trabalhos acadêmicos oriundos do Brasil e do exterior, oferecendo um panorama de questões e debates que marcam a pesquisa científica sobre esse objeto. 17 trabalhos estão publicados nos Anais dessa edição, incluindo artigos submetidos para avaliação e textos das palestras proferidas por profissionais convidados. Em seu conjunto, estes trabalhos revelam recorte marcadamente vertical na área de música, reunindo pesquisas de Iniciação Científica, Graduação e Pós Graduação em seus diversos níveis: Especialização, Mestrado e Doutorado. 
Esta edição do Simpósio Acadêmico de Violão teve como homenageado o compositor brasileiro Edino Krieger (1928). Desta forma, o evento aglutinou recentes pesquisas sobre o compositor e suas obras. Eric Evangelista apresentou estudo sobre as obras encomendadas pelo violonista Turíbio Santos a Krieger; os aspectos idiomáticos da Ritmata para violão foram abordados pelo trabalho de Thiago de Campos Kreutz e, finalmente, Fernando Aguera, apontou novas perspectivas de estudo dessa obra emblemática pela comparação entre manuscrito e versão publicada. 

A análise de diferentes repertórios apresentou painel diversificado de perspectivas teóricas e metodológicas, revelando pluralidade de aproximações. A adaptação de repertórios não escritos originalmente para o violão foi abordada por Cosme de Almeida, em seu estudo sobre o processo de transcrição em Bach. Em outra perspectiva, o tema foi desenvolvido por Rafael Thomaz no estudo sobre o arranjo do violonista Marco Pereira para a canção My Funny Valentine. O trabalho de Lurian Lima apontou elementos para a compreensão da dimensão histórica da Suíte Popular Brasileira, de Heitor Villa-Lobos, incorporando novos referenciais bibliográficos. O foco em aspectos intrínsecos à linguagem composicional norteou o estudo de Luis Felipe de Moraes, sobre a Sonata Op. 47 de Alberto Ginastera. Foco semelhante foi desenvolvido por Samuel Silva através do mapeamento de aspectos harmônicos da linguagem composicional de Guinga. Por sua vez, o trabalho de Sólon de Albuquerque Mendes apresentou reflexões sobre possibilidades composicionais para grupo de violões. Finalmente, preocupações e premissas da estética musical contemporânea foram abordadas no trabalho de Felipe de Almeida Ribeiro sobre conjunto de obras não-idiossincráticas escritas para o violão nos últimos 50 anos. 
Ensino e aprendizagem do violão constituíram um importante foco de discussões do evento. O trabalho de Fabio Scarduelli apresentou uma reflexão profunda sobre dilemas e potencialidades do violão na universidade, apontando possíveis diálogos entre programa de curso e atuação profissional. Camila Silva abordou métodos de técnica instrumental criados para violão erudito aplicados em alunos de violão popular com auxílio da Teoria da Autorregulação, e Leonardo Salgado Pires apresentou levantamento de pesquisas de Pós-Graduação realizadas no Brasil de 1987 a 2012 que tinham como temática, estratégias de estudo para violão. 

Aspectos relativos à trajetória histórica do violão como instrumento constituíram outro ponto focal do evento. Nesta perspectiva, o trabalho de Rodrigo Mateus Pereira e Juarez Bergmann Filho apresentou características constitutivas da guitarra barroca, demarcando semelhanças e diferenças deste antecessor do violão. O panorama se completa com o estudo de Nicholas de Souza Barros sobre os toques digitais da mão direita empregados na execução de cordofones clássicos europeus desde o século XVI. 
Outra preocupação desta edição foi o debate sobre possibilidades de ações de cunho social por parte de estudantes e profissionais da área da música. Para tanto, o professor Daniel Wolff proferiu palestra sobre "Projetos Sociais de Música", em que foram debatidas iniciativas gestadas na universidade que buscam levar música a hospitais e lares de terceira idade. 

Acreditamos que a publicação dos textos e palestras apresentadas constitui o passo final na estratégia de divulgação de perspectivas e ideias para a comunidade acadêmica e público em geral, contribuindo para a democratização dos conhecimentos especializados reunidos sobre o violão. 

Fabio Guilherme Poletto
Coordenador Acadêmico 
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